terça-feira, 17 de setembro de 2019

177- Euphoria


A história de Euphoria é relativamente simples de contar e, de facto, possui um enredo bastante interessante - o grande problema é o facto de decair no abismo da carestia imaginativa, conforme acontece no típicos hentais.
Tudo começa quando sete pessoas aparecem, misteriosamente, em um salão branco com um monitor na sua frente, através do qual são emitidas as ordens que as personagens deverão obedecer. Caso contrário, serão punidas com a morte (onde é que já ouvi isto?). Neste jogo, o protagonista masculino, Keisuke Takatou possui a função de abridor, pelo que deverá seleccionar, a cada turno, uma das seis mulheres (denominadas de fechaduras) que se encontram no salão para ter sexo com ela. Creio que já podem imaginar o que seria a "chave" neste jogo.
A sessão de sexo é realizada em um quarto à parte, onde existe um outro monitor, em que são reveladas as instruções a seguir durante o coito, como por exemplo, o número de ejaculações, a intensidade do sexo e os instrumentos sexuais a utilizar. A cada sessão de sexo, uma nova sala é aberta, havendo a expetativa de que, no final, irá haver uma saída do sítio onde se encontram. No entanto, uma saída subterrânea é encontrada e as personagens irão sair por aí, pelo que, a partir daqui, surgirão novos enredos alternativos, nos últimos dois episódios.

O que realmente é singular neste anime é a forma como apresenta a sua trama. Tendo sido inspirado numa visual novel homónima, o anime segue os seus movimentos, pelo que cada episódio novo surge como que um seguimento opcional distinto do anterior, seleccionado pelo jogador, levando a diversos finais alternativos. Ou seja, o anime é concebido pela lógica de um jogo, sendo o salão branco e, posteriormente, as masmorras subterrâneas, um checkpoint. Daí considerar que, de facto, um anime com este género de enredo teria um incrível potencial para se desenvolver de uma forma bastante mais criativa e interessante do que aquilo que é. O seu grande dilema é, conforme já afirmei acima, enveredar pela perdição imaginativa que é o hentai. Diria que, de facto, as fantasias e torturas sexuais demonstradas no anime são dos seus elementos mais criativos - desde consumo de fezes, a asfixia em água e sexo na forca (se virem o segundo episódio, irão entender o que quero dizer).

Antes de mostrar as imagens, quero clarificar que, como não encontrei nenhuma versão do anime sem censura, os genitais das personagens aparecem pixelizadas. A última imagem é de um pénis inserido numa vagina ensanguentada:





Poderão ver este anime no site BaixarHentai. Peço-vos para terem cuidado com a quantidade monstruosa de anúncios potencialmente perigosos que abrem no site ao mínimo clique.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

176- Ousama Game the Animation

Ousama Game The Animation

Este anime que hoje vos trago trata de um de jogo de sobrevivência que envolve o estudante Nobuaki Kanazawa, pelo que a sua turma será igualmente abrangida e condenada a participar nesse mesmo jogo. O chamado de Jogo do Rei obriga à participação coletiva da turma, pelo que os jogadores têm um período de tempo específico para cumprir as ordens do rei. A partida não pode ser abandonada, pois, nesse caso, todos os infratores serão punidos - as ordens do rei são absolutas. Os estudantes recebem as instruções através de SMS's.

Nobuaki foi o único sobrevivente de um Jogo do Rei ocorrido na sua antiga escola, daí manifestar-se abertamente e de um modo alarmante sobre ele à sua nova turma, que começa a receber mensagens no telemóvel, enviadas pelo Rei. Os estudantes demonstram, inicialmente, o seu ceticismo e irritação perante o Jogo do Rei e as atitudes de Nobuaki (que, na ótica deles, eram absurdas, mas ameaçadoras e provocantes). Persuadir uma turma inteira sobre a veracidade de um jogo em que a morte é a punição para quem não segue com as suas regras é uma tarefa evidentemente difícil e a reação agressiva e de desprezo dos alunos é realmente compreensível. Inclusivamente nos poderemos questionar sobre como reagiríamos se alguém nos tentasse convencer disso.
Assim será até que as primeiras mortes misteriosas começam a ocorrer e aí, os estudantes começarão a lutar entre si ou a cooperar para se salvaguardarem, mesmo que isso signifique o sacrifício dos restantes colegas, apesar da sempiterna presença de uma conversa que persuada ao "trabalho em equipa", para que todos sobrevivam.

De algum modo não clarificado, o Rei, de identidade desconhecida, possui omnisciência sobre todas as ações executadas pelos jogadores e tem igualmente a capacidade de os matar, tanto pela infração das regras do jogo, como pela abstenção na participação na partida ou pela seleção de pessoas que deverão morrer, por parte de outros colegas que são impingidos com esse mesmo desafio. Ocorrem punições mortais, desde o sufocamento, decapitação, desmembramento a ataques cardíacos.

O Jogo do Rei iniciou-se trinta anos antes do tempo presente no anime, na Vila Yonaki, pelo que, em consequência do decorrer da partida, tornara-se num local desabitado. Posteriormente, o Jogo começou a ser transmissível através de aparelhos eletrónicos, como computadores e telemóveis, devido ao aprimoramento da comunicabilidade que esses instrumentos proporcionam, o que facilita a dispersão do seu vírus - ao que, inclusivamente a comunidade científica no anime alega que o Jogo é transmitido por um vírus específico. Duas colegas de Nobuaki (que eram irmãs), Chiemi Honda (que faleceu no primeiro jogo em que o protagonista participou, na sua antiga escola) e Natsuko Honda (que foi a única sobrevivente de um Jogo anterior e participa no atual) nasceram nessa mesma vila e possivelmente terão igualmente contribuído para a disseminação do seu vírus.

Como já puderam constatar, Ousama Game é um anime com um enredo realmente caricato e algo que confuso, tanto que os próprios produtores também parecem confundir-se naquilo que estão a fazer. Como por exemplo, quando Nobuaki telefona a todos os seus colegas para não atenderem mais os telemóveis nem lerem as mensagens (porque podiam ser do Rei) e, no episódio seguinte (mas ainda a mesma noite que no episódio anterior), os colegas voltam a comunicar por via telemóvel e lêem as mensagens do Rei. Ou quando o cenário apresentado de há 30 anos atrás, na vila Yonaki, mostra uma fotografia do pai de Chiemi e Natsuko, com estas, ainda bebés, nos braços... portanto, enquanto que elas deveriam ter mais de 30 anos, são ainda alunas comuns no liceu.

Isto entre tantas outras incoerências que são detetáveis ao longo do anime.
Há ainda imensas questões que ficam no ar, como por exemplo, quem é o Rei? Como se arquitetou, originalmente, o Jogo do Rei? Como é que um vírus se propaga através de mensagens, tanto por carta como por mensagens digitais? Como é que os perdedores do jogo são decapitados ou desmembrados? Será magia ou usam-se vectores à lá Elfen Lied? Como é que a roupa e o cabelo da personagem Ria Iwamura não arderam quando ela incendiou? E como é que ela permanece tão calma enquanto incinera? Além disso, os vários momentos de drama e as mortes dos jogadores acabam por não ser assim tão dramáticas, mas antes muito toscas, rídiculas e cómicas (no pior sentido). E existem tantas, mas tantas personagens em simultâneo que é praticamente impossível dar conta de todos os seus nomes e sentir qualquer empatia por elas - eu próprio esperei que morressem de forma cruel, para poder colocar boas imagens nesta postagem.

Contudo, apesar de todas as inconsistências que existem neste anime, diria que, pelo menos, nos primeiros episódios, é ainda capaz de demonstrar alguma seriedade no seu enredo, embora este decaia totalmente nos seguintes capítulos. Ainda que hajam imensas pessoas que categorizam o Ousama Game de forma bastante pejorativa, creio que não seja um anime tão revoltante de ver e tão mau ao ponto de incentivar o ódio dos seus expetadores. Há alguns analisados aqui no blog que serão 100 vezes mais hediondos e odiosos do que o Ousama Game é e alguma vez será.


Imagens:






Vídeo:


E não podia terminar esta postagem sem partilhar convosco o épico tema de abertura do anime, honestamente, um dos seus poucos momentos altos:


Podem assistir o anime no Anitube.

sábado, 14 de setembro de 2019

175- Killing Bites

Killing Bites

Killing Bites é um anime viciante e repleto de ação, cuja história se desenvolve em torno de um estudante universitário, Yuuya Nomoto, que terá a sua vida alterada por completo após conhecer uma rapariga aparentemente normal, Hitomi Uzaki. Acontece que, de facto, Hitomi não era uma pessoa comum, mas um Híbrido (também conhecidos como Teriantropos ou Brutes): humanos que adquirem habilidades de animais através de modificações genéticas, pelo que as suas aptidões especiais serão demonstradas e intensificadas nos combates que efetuam entre eles (embora também possam ativá-las fora de campo). Como tal, as suas aptidões físicas superam exponencialmente a dos humanos comuns, pelo que cada Teriantropo possui um animal diferente associado a si, servindo-se das suas mais diversas habilidades ofensivas e defensivas para garantir a sua vitória.

Os Teriantropos são peças fundamentais para a realização das Killing Bites, batalhas organizadas por entidades de cimeira na economia japonesa. Esses grupos são chamados de Zaibatsus, tendo sido comerciantes e negociantes importantes cuja atividade remonta ao Japão feudal, pelo que, no pós-guerra, foram alcançando o domínio da economia do país, consoante as respetivas vitórias nas Killing Bites. Aqui, cada um dos zaibatsus (Mitsukado, Yatsubishi, Sumitomo e Ishida) far-se-à representar por uma equipa de três Teriantropos, em uma partida de maior importância, em que as quatro companhias lutam entre si pela dominância do poder, um evento denominado de Destroyal. Os Teriantropos encontram-se vinculados às ordens do respetivo patrocinador, que, no caso de Hitomi (e dos seus correligionários, Ui Inaba e Ichinosuke Okajima), será Nomoto. Essas batalhas operam como que um jogo de apostas, em que a equipa vencedora irá receber uma elevada quantia de dinheiro e assume a supremacia da atividade económica no Japão.

Hitomi também é conhecida pela alcunha "Brute Ratel" (devido ao facto de a sua cara metade ser um ratel, igualmente denominado de texugo-do-mel) e ameaça reverter o equilíbrio que existira entre os quatro zaibatsus, devido à sua força e impetuosidade de combate. Os Ishida prontamente celebraram um contrato com Hitomi, na medida em que ela entrará no vindouro Destroyal a representá-los. Um dos objetivos primaciais das outras equipas era a aniquilação definitiva de Hitomi, que se demonstrava uma alarmante rival para as mesmas. Uma das especificidades de Hitomi é o facto de ela ter nascido naturalmente com o DNA de transformação animal, sendo uma Origin Beast - a fusão perfeita entre humano e animal, que envolve todos os seus instintos e aptidões físicas.

Adicionalmente, Hitomi fora, na sua infância, "domesticada" por um cientista, Shidou Reiichi, um dos responsáveis pelo desenvolvimento e liberalização pública do processo de transformação para Teriantropo. Reiichi utiliza os Killing Bites como meios para usar os Híbridos como cobaias para testar e veicular as suas investigações científicas, pelo que a comunidade de Teriantropos e alguns patrocinadores opõem-se a esta prática. Reiichi aboliu os anteriores regulamentos do combate, na medida em que proporcionou a chance para que criminosos e pessoas de comportamentos violentos pudessem aceder à terapia de conversão animal, resultando na criação de Brutes indisciplinados e agressivos, de forma indiscriminada. O seu Escritório Administrativo gere toda a tecnologia e instalações necessárias para conceber um teriantropo, assegurando, desse modo, a centralização da sua influência perante as Zaibatsu e o seu suborno, bem como a cativação de investidores interessados e confiantes nas suas práticas.
Este Destroyal realiza-se na Ilha Hotei, situada no arquipélago filipino, onde os Teriantropos irão combater entre si. Os patrocinadores monitorizam o evento em um salão próprio, permanecendo em volta de uma mesa, através da qual se lançarão dados para ordenar os Híbridos a deslocarem-se para determinada direção. É indispensável um estudo prévio do terreno onde o combate se realizará, de modo a evitar acidentes e danosos passos em falso.

Em suma, Killing Bites é, essencialmente, battle royale, mas com seres metade humanos-metade animais, um anime perfeito para quem gosta de ver grandes doses de luta, violência e ação e, embora algumas partes sejam evidentemente previsíveis, existe sempre um sentimento de curiosidade, que nos prende a querer descobrir o que virá no próximo episódio. Existem rumores de uma vindoura segunda temporada, algo que, de facto, as cenas finais do anime aparentam demonstrar, contudo, até agora, nada relativo a isso foi confirmado.


Imagens:






Vídeo:

Podem assistir o anime inteiro no Goyabu.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

174- Neon Genesis Evangelion


Neon Genesis Evangelion é um lendário e excelente anime que se situa no ano de 2015, em um cenário em que a humanidade é ameaçada por seres misteriosos conhecidos como Anjos. Estas entidades são imunes a armas convencionais, pelo que são necessários meios adicionais e mais sofisticados para as combater, os Evangelions. Estes mechas só poderão ser utilizados por jovens adolescentes, monitorizados e seleccionados por entre as populações, dotados de aptidões específicas que garantam o seu manejo efetivo dos Evangelions e existem cinco "Crianças escolhidas". Esse processo de monitorização dos potenciais futuros utilizadores dos Evangelions é executado por parte da organização conhecida como Instituto Marduk.
Para que uma Criança possa utilizar o Evangelion, deverá haver uma sincronização perfeita do seu corpo e mente com o equipamento de combate, que envolve desde os pequenos organelos e componentes celulares até aos restantes órgãos sensoriais, o que permite uma superior precisão no desempenho da luta e manuseamento das armas.
Os Evas são sincronizados com a personalidade das pessoas, bem como o seu corpo, daí que podemos observar que as crianças sentem dor numa parte do corpo quando o mecha é atacado. Quando a Criança não se encontra em condições para lutar, poder-se-á ativar o sistema falso, que opera como que um piloto automático, na medida em que memoriza a sincronização Evangelion-humano para lutar de forma autonomizada. Contudo, a sincronização não é perfeita e perdura por um período de tempo mais reduzido. Os Evas são dotados de almas reminiscentes das mães das Crianças (nomeadamente Ikari Shinji e Asuka Langley (no caso do de Ayanami Rei, desconhece-se a alma que é portada, embora possa ter sido da primeira Rei, que fora assassinada, sendo que as restantes são clones)). Daí que cada Criança só pode pilotar o seu próprio Eva.

O Primeiro Anjo, Adão, foi descoberto na Antártica, em 2001, e possuía uma aparência humanóide. Aquando da investigação, Adão despertou, o que provocou a destruição do continente, acarretando com consequências climatéricas danosas, bem como agressivos conflitos armados à escala mundial. O evento ficou conhecido como o "Segundo Impacto", pelo que, na necessidade de evitar uma situação semelhante no futuro, uma organização chamada Nerv foi fundada, sendo esta responsável pela constituição dos Evangelions, com o propósito de destruir os Anjos, estando localizada numa base subterrânea secreta. A Nerv, embora permaneça vinculada ao controlo da ONU, desfruta de considerável autonomia, dado que esta não possui capacidades para enfrentar os Anjos e transferiu essa missão para a Nerv. Existem Anjos com diversificados feitios e poderes, contudo, todos partilham a habilidade de ativação do Campo AT, que os defende de ataques adversários. Somente os Evangelions, que possuem força equiparável aos Anjos, poderão evitar este desastre, uma vez que esses mechas são concebidos através da base genética do Adão (à exceção da Unidade 01, pilotada por Shinji, que possui a base de Lilith (explicarei esta parte melhor, mais abaixo)).

No entanto, ao longo do anime, o enredo acabará por se separar deste conjunto de informações relativas às origens dos Anjos e aos verdadeiros interesses dos dirigentes da Nerv e da Seele (os seus superiores). Por sua vez, irá enveredar por uma análise de foro psicológico, aos protagonistas do anime: Shinji Ikari, Rei Ayanami, Asuka Langley e Misako Katsuragi. Entende-se que o interesse do anime seria a convergência da sua história para estas personagens, visando a atenção do visualizador para captar as suas características e a evolução (ou a ausência dela) de cada uma das mesmas. Poderemos tirar variadíssimas interpretações sobre o arco final da série. Aditivamente, o anime possui um final alternativo, mais esclarecedor sobre os Anjos, instituições e os objetivos dos seus dirigentes no filme "The End of Evangelion".

Assiste-se a uma progressiva degeneração psicológica das personagens, após os períodos de conflitualidade contra os Anjos, bem como os receios e dúvidas que são inerentes a este sempiterno combate patrocinado pelos seus superiores, que não aparenta ter uma solução ou explicações concretas para a sua existência - como que se as missões não tivessem um objetivo esclarecedor. Os dilemas passados e presentes nas vidas dos protagonistas mesclam-se e agravam-se com o ingresso nestas missões, maioritariamente devido à incerteza e pressão que elas acarretam. Adicionalmente, em cada personagem, poderemos enxergar problemas que nos afetam, enquanto humanos e membros de uma sociedade, que poderão ser fruto dos dilemas pessoais do autor do anime, Hideaki Anno, uma vez que este lutara contra problemas financeiros e depressão durante a produção de Neon Genesis Evangelion.

Por exemplo, Shinji considera correto fazer as coisas conforme lhe ordenam, pelo que a sua capacidade de discernimento individual e opiniões não se compadecem com as intenções e diretrizes dos seus superiores. As suas hesitações e receios surgem como um método de defesa e reivindicação dos seus direitos, contra os superiores, embora não possa eliminá-los da sua vida, pois é psicologicamente dependente deles e não se sente bem ao afastar-se das suas responsabilidades.
Asuka, por sua vez, representa a necessidade do Homem inseguro em subestimar e rebaixar os outros pelos seus defeitos (ou qualidades), de modo a sentir-se bem consigo mesma, o que surge igualmente como uma tentativa de afirmação individual e uma maneira de lidar com a sua revolta pelo seu passado infeliz, que a incomoda, mas que não dá a conhecer a ninguém - talvez por vergonha de se mostrar sentimental e pouco hirta.
Rei representará aquilo que os Homens verdadeiramente são, aquilo que procuram de si mesmos, de uma forma peremptória, ao entenderem que estão a agir de um modo que não corresponde aos seus interesses e sentimentos - a sua verdadeira identidade, o verdadeiro "eu".

Misako, por outro lado, sendo a protagonista adulta, representa os problemas da vida adulta: as dificuldades amorosas, a procura incessante pela aprovação por parte de terceiros, desacordos com colegas de trabalho, bem como o refúgio na bebida. Misako demonstra igualmente uma preocupação, de forma mais notável, relativamente aos mistérios que envolvem a Nerv e os Anjos, entendendo que, de facto, há determinadas coisas que "não batem certo". Por outro lado, as preocupações de adolescentes, mais evidentes nas rixas entre Asuka e Shinji, pairam sobre a legitimidade de infligir dano em outros humanos, o medo da reprovação, problemas de índole familiar e incertezas sobre o funcionamento dos Evangelions (como por exemplo, a ausência de sincronização de Asuka com o seu mecha, a Unidade 02, nos últimos arcos do anime, ou a relutância de Shinji em atacar a Quarta e a Quinta Criança, por serem humanos, apesar de estarem do lado adversário).

A Quinta Criança, Kaoru Nagisa, simboliza, através de uma forma alegórica, aquilo que os Homens verdadeiramente amam na sua vida, mas que deverão sacrificar (total ou parcialmente) para que possam garantir a sua sobrevivência em sociedade. A afeição de Shinji a Kaoru incorre precisamente pelo facto de que este aparentava ser a única pessoa que compreendia verdadeiramente os seus sentimentos e que se demonstrava como sendo um amigo genuíno. Contudo, a sua condição antagónica, por ser um Anjo (mas simultâneamente uma Criança), impôs que Shinji o matasse.

As várias instituições (Seele, Nerv, Marduk) são as condicionantes da nossa liberdade, que limitam a atividade humana em prol de outros interesses, ou do Estado, ou do interesse coletivo, que envolve a domesticação do interesse individual, conforme as filosofias de Thomas Hobbes ou Immanuel Kant reiteram. O anime não surge, a meu ver, como uma crítica à sociedade, mas antes uma análise psico-sociológica, com a qual nos podemos todos identificar ou uma maneira de o autor expressar o seu descontentamento com a vida que levara. Contudo, as interpretações diferem entre cada um, evidentemente. Devido à falência e defeitos de cada humano, é essencial que estes operem em cooperação mutualizada, aquilo que no próprio anime é chamado de "projeto de auxílio", havendo uma complementação do potencial de cada um. Não existe outro modo de vida: o Homem é um animal social e destinado a viver dessa forma.

O filme "The End of Evangelion" apresenta um final alternativo à série, em que os planos da Seele em conceber o Projecto de Instrumentabilidade Humana serão colocados em prática. O seu objetivo é a unificação da humanidade, como um conglomerado de almas, em Lilith, a sua progenitora. Para isso, será necessário o contacto do Evangelion Unidade 01 com a respetiva Lança de Longinus, que tinha sido retirada do corpo de Lilith, situado no Terminal Dogma, na base subterrânea. Com isto, irá garantir-se a evangelização da humanidade, na medida em que esta retornará ao seu estado primordial, conglomerada no Ovo de Lilith. Este processo é o chamado de Terceiro Impacto.

Se Lilith é a progenitora dos Homens, Adão é o progenitor dos Anjos, pelo que ambas as raças não podem coexistir na Terra e os Evangelions foram concebidos, novamente reitero, da mesma linha genética de Adão, para os vencer. No momento em que a Unidade 01 toma a Lança e se complementa com outros Anjos, assume uma forma superior, que posteriormente consome partes da Semente da Vida (pertencente a Adão e denominada de "sistema S2" na série). Consequentemente, o Evangelion converte-se num ser supremo, divino, uma vez que aglomera na sua égide a Semente da Vida e a Fruta da Sabedoria (de Lilith). Uma das propriedades do sistema S2 é a ativação de um campo anti-AT, que liberta as almas dos respetivos corpos humanos e permite a sua fusão (pelo que o campo AT alude ao corpo, que agrega e protege a alma no seu interior).
Contudo, Shinji entende que a remoção da individualidade dos Homens é errada. Ainda que o Terceiro Impacto tenha juntado todos os Homens em uma só consciência, o que impossibilitaria a capacidade de se magoarem uns aos outros, a individualidade, identidade e condição humana que nos são inerentes foram excluídas. Shinji apercebe-se que, apesar de todos os seus defeitos e de todos os defeitos dos outros, é mais importante que os Homens consigam viver em comunidade e que se amem, aceitando-se cada qual pela sua própria individualidade e complementando-se de forma recíproca. Embora o filme termine numa incógnita, a frase final de Asuka, que novamente demonstra a sua atitude grosseira para com Shinji, indicia que o resto da humanidade terá as suas almas devolvidas.

Devemos observar o anime como uma representação surrealista e alegórica das relações inter-humanas, tanto no que é positivo, como no negativo. Compreendemos que, de facto, tudo aquilo que existe na nossa sociedade deverá servir como um incentivo para o nosso aprimoramento pessoal e uma forma de propiciar um convívio sustentável com os nossos congéneres. É através dos obstáculos, erros e dificuldades da vida que os Homens se desenvolvem, arranjando meios para apaziguar ou contornar essa situação, operando-se, coletivamente, para o bem comum, através da perseguição dos nossos objetivos.  Conforme Alexander Pope reitera, "se algo existe, é bom".
Há diversificadas interpretações para este anime, tal como podemos observar nas discussões dos fóruns do Myanimelist, por exemplo. Encontrei duas frases realmente curiosos, que colocam o anime em perspetiva: "Os primeiros 24 episódios são fillers. Os 25 e 26 são Evangelion" e "Quem quer que esteja a ver esta série pela ação, está definitivamente a ver a série errada" (aqui).


Imagens:






Vídeo:

Poderão assistir o anime inteiro e os filmes no site Goyabu.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

173- Black Lagoon



Black Lagoon aborda a história de um japonês, Okajima Rokurou, funcionário da empresa Indústrias Asashi, que, numa viagem ao Sudeste Asiático para entregar um disco que continha informações importantes relativamente ao concebimento e utilização de armas nucleares, é raptado por um grupo de máfia, conhecido como Black Lagoon. O disco, encontrando-se nas mãos do Black Lagoon, seria enviado para os agentes da máfia russa do Hotel Moscovo, seus superiores, sediados na fictícia cidade tailandesa de Roanapura, enquanto que Okajima seria resgatado pela sua empresa; contudo, os dirigentes desta eventualmente falsearam a morte de Okajima e impuseram a sua extradição para o leste da China, em favor da segurança da empresa e respetivos funcionários, oferecendo-lhe regalias para o seu novo emprego.

Contudo, Okajima irá abandonar o seu modo de vida anterior para ingressar na criminalidade, aliando-se aos Black Lagoon. Passará a ser conhecido pela alcunha de "Rock" e opera em conjunto com os restantes membros da organização: Revy, Dutch e Benny.
Revy (Rebecca) é uma pistoleira nata, de origem sino-americana, também conhecida como "Two Hands", pela sua habilidade de manusear e disparar com armas de fogo com as duas mãos. De carácter impetuoso e agressivo, Revy aparece sempre pronta para a batalha, sendo dotada de uma notável perícia na dominação das armas. Embora inicialmente cética e belicosa relativamente a Rock, irá eventualmente nutrir um sentimento de respeito e admiração, que se denota com superior evidência na segunda temporada, "The Second Barrage", em virtude das várias missões em que colaboram juntos, ao longo de um ano.
Dutch é um ex-militar norte-americano, de um carácter mais dócil e clarividente, sendo o chefe da companhia e o responsável pelo desempenho dos processos de negociação que a envolvem. É igualmente perito no manejo das armas, embora não recorra às mesmas tão frequentemente, pelo que surge antes como o dirigente das atividades da companhia.
Benny, também de origem norte-americana, era um universitário na Flórida, especialista em informática, capacitado de penetrar por redes informáticas alheias, saquear informações relevantes e conceber códigos morse e cartografia digital. Tal como Rock, Benny evita utilizar armas, revelando um comportamento pacato e afável.

Conforme supracitado, a Black Lagoon é aliada aos interesses e ordens do Hotel Moscovo, liderada por Balalaika, havendo uma lógica de mutualidade de respeito e cooperação entre ambas. Dentro das diversas missões em que incorrem, a Lagoon exerce, com maior destaque, tráfico de mercadorias clandestinas, como armas, drogas, objetos preciosos e humanos, bem como o desmantelamento de outras organizações clandestinas rivais e potencialmente subversivas à Lagoon, conforme o caso da União Socialista Ariana (organização neo-nazi norte-americana) ou o grupo Washimine (Yakuzas). Lagoon e Moscovo operam em Roanapura, onde convivem com outras organizações criminosas, conforme o caso das máfias italiana, chinesa e colombiana, sendo uma cidade onde o crime impera e não observa quaisquer restrições à sua atividade.

O Hotel Moscovo é composto por militares russos (sendo a própria Balalaika uma militar) que participaram na invasão soviética do Afeganistão, denotando-se a sua perspicácia e rigidez nas atividades belicistas que as missões da companhia exigem. O modus operandi do Hotel Moscovo é mais fortemente destacado na segunda temporada, a qual conta igualmente com uma maior participação de Rock e Revy nas missões que se lhes investem, onde se nota o amadurecimento e transformação de ambas as personagens. Enquanto que Revy assume um comportamento mais moderado e astucioso diante das missões, Rock desenvolve uma personalidade relativamente mais fria e realista em comparação com a primeira temporada, na qual se denotava a boa fé e confraternidade nas suas ações, mesmo para com os adversários e reféns e procurando igualmente persuadir a equipa a agir de um modo semelhante. Adicionalmente, enquanto que na primeira temporada, o quarteto supramencionado se encontra sempre presente e é apresentado um panorama genérico das atividades da Lagoon, em "The Second Barrage", Benny e Dutch surgem como que personagens secundárias.

Ao contrário de outros animes mencionados no blog, como "Elfen Lied" ou "Blue Gender", o Black Lagoon não apresenta um seguimento de enredo único ao longo da sua história, mas antes uma série de enredos vários, vinculados à temática fundamental do anime, à semelhança de "Devilman" ou "Violence Jack", sendo que estes mesmos enredos prolongam-se por, geralmente, entre 3-5 episódios.
Como uma nota final, faço questão de destacar as várias referências históricas e culturais relevantes que são feitas ao longo do anime, desde a menção de elementos relativos à história do nazismo, a guerra do Afeganistão e a ícones da literatura, música e filosofia, como Edgar Allan Poe, Jimi Hendrix e Heidegger, por exemplo, o que torna a visualização do anime bastante mais cativante e interessante, complementando-se com épicas doses de ação e violência.


Imagens:






Vídeo:


Poderão assistir o anime completo no Anitube.

sábado, 31 de agosto de 2019

172- Kemonozume

Kemonozume

Kemonozume é um anime que apresenta um cenário de guerra entre humanos e criaturas demoníacas, outrora também humanos, que foram vitimados pela ira divina, em consequência do seu comportamento subversivo. Essas entidades, denominadas de Shokujinkis, passam a assumir forma antropomórfica e subsistem apenas pelo consumo de carne humana. Ao longo dos tempos, essas espécies acabaram por se misturar por entre a humanidade e convivem com os seus habitantes. No entanto, os Homens entendem a necessidade de eliminar essas criaturas e caberá a uma organização de espadachins, conhecida como Kifuuken, a salvaguarda da humanidade contra os Shokujinkis.
Juzo Momota é o líder da Kifuuken e possui dois filhos também imiscuídos nas artes militares: Kazuma Momota, que possui uma mentalidade progressista, entendendo que a organização deverá conceber e utilizar novas práticas bélicas, mais modernizadas e poderosas, tendo sido o fundador do Kemonozume, uma armadura do género mecha, que poderia competir com a ferocidade dos Shokujinki, tanto a níveis de força, defesa e velocidade; e Toshihiko Momota, mais conservador, que pretende preservar as artes bélicas tradicionais, operando através da espada.

Kemonozume era, originalmente, uma técnica secreta através da qual um guerreiro poderia absorver a força vital de um Shokujinki e aumentar exponencialmente o seu poder. Consiste em cortar os braços do demónio, (uma vez que estes são a fonte do seu poder) e inseri-los no lugar dos do guerreiro. Porém, é uma técnica bastante falível, tendo levado vários combatentes a converter-se em demónios. Estas artes militares existiam desde o surgimento dos Shokujinki, tendo sido aprimoradas ao longo dos tempos e transmitidas até à atualidade.
A administração do Kifuuken é transmitida por via de linhagem sucessória hereditária, pelo que Toshihiko irá herdá-la do seu pai, não só pela sua primogenitura e ideais tradicionalistas, como também pela sua pureza humana, ao contrário do seu irmão, sobre o qual se veio a revelar que era, de facto, filho de uma relação entre Juzo e uma Shokujinki, tendo sido esta a sua segunda esposa.

Curiosamente, Toshihiko irá apaixonar-se por uma instrutora de paraquedismo chamada Yuka Kamitsuki, pelo que se torna completamente obcecado com ela - o que ele não sabe é que Yuka era uma Shokujinki. Estes irão assumir um namoro, mas Toshihiko só se aperceberá da verdadeira identidade de Yuka na cerimónia fúnebre do seu pai, que fora morto por um outro Shokujinki, embora Yuka tenha sido culpada pela organização. No entanto, Toshihiko prontifica-se a defendê-la e opta por fugir com ela, deixando a academia para trás. Por outro lado, Kazuma leva a diante a sua ideia de modernização do Kifuuken, convertendo-o em uma autêntica empresa capitalista, pública, que opera em cooperação com as forças policiais e desfrutando do reconhecimento nacional e de subsídios governamentais, os quais serão canalizados para investimentos vários. Não obstante, os integrantes do Kifuuken não se compadecem com a estratégia de Kazuma, revelando-se céticos e arreliados com a sua ideia. Será neste momento em que alguns integrantes do clã irão abandoná-lo ou serão atraídos por outras mulheres Shokujinkis, acabando por protegê-las contra a organização e provocando uma forte recessão de recursos humanos no Kifuuken.

Adicionalmente, Ooba Kyuutarou, um dos antigos mestres do Kifuuken, lança um remédio que fortalece quem o consome - porém, se for tomado em doses elevadas, a pessoa correrá o risco de se converter em uma criatura com propriedades semelhantes aos Shokujinkis, embora o seu efeito seja temporário. Ooba inclusivamente comercializa o seu remédio por entre os membros do Kifuuken, pelo que estes, desagradados com o rumo que a organização estava a tomar, irão aliar-se a Ooba. A sua estratégia paira pela necessidade de vender o seu produto, de forma desmesurada, enriquecer e tornar-se poderoso através dele. Contudo, Ooba refere igualmente que manterá os braços dos Shokujinkis e pseudo-Shokujinkis para o seu filho, Saiji Ooba, de modo a evitar que ele fosse gozado. De facto, e de acordo com outras fontes referentes ao anime (tanto o Myanimelist, como a Wikipédia), afirmam que as pretensões verdadeiras de Ooba são pouco clarificadas.
As células transformadoras presentes no medicamento de Ooba são, de facto, endémicas das garras dos Shokujinkis.

Uma coisa que, tanto eu como outras pessoas que viram o anime notaram, foi o facto de este ter começado bastante bem e, a partir dos últimos episódios, a sua qualidade de enredo começará a decair, contrastando com o favorecimento de uma animação bastante mais surrealista e psicadélica, que termina com mais questões do que quando começa. Diria que a maior incógnita seria entender o verdadeiro objetivo de Ooba na venda de medicamentos que convertem as pessoas em Shokujinkis. É importante considerar-se que Ooba descreve Yuka como sendo «o último Shokujinki puro», pelo que podemos deduzir que não existe mais nenhum desses e todos aqueles que existem, são somente entidades parcialmente monstruosas, que terão as suas propriedades anuladas assim que o efeito do medicamento terminar (ou se tiverem os seus braços cortados).


Imagens:






Vídeo:


Poderão ver este anime no site Goyabu, legendado em português.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

171- Rurouni Kenshin - Tsuioku-hen

Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan - Tsuioku-hen

Rurouni Kenshin - Tsuioku-hen é um OVA do mais célebre "Rurouni Kenshin", também conhecido por "Samurai X". Este anime é uma inclusão excecional para o blog, uma vez que a série original não corresponde à sua temática. Lembro-me de ver o Samurai X na televisão, durante os meus tempos de infância, também quando a televisão portuguesa ainda possuía uma verdadeira qualidade nos programas que transmitia.

Passarei dar um contexto histórico sobre o anime. Desde a ascensão de Oda Nobunaga ao governo japonês, em 1576, que o shogunato (fundamentalmente, composto por samurais guerreiros e ministros) assume o poder político efetivo no Japão, pelo que o imperador do Japão concebe-se como uma figura meramente simbólica no país. Esta situação manteve-se até 1868, com a Restauração Meiji, ou revolução japonesa, em que as tropas favoráveis à supremacia do poder imperial (também influenciadas pelos preceitos revolucionários e democráticos do Ocidente) vencem os adeptos do shogunato, pelo que o imperador Meiji irá finalmente assumir o poder político no Japão. Desde o período medieval japonês que a soberania do país é disputada por vários clãs, que possuem alianças militares entre si e essa circunstância permaneceu até à Restauração, pelo que haviam diversos clãs, tanto opostos como aliados ao imperador. Nesta história, Kenshin surge como um partidário do poder imperial, associado a um clã conhecido como Choshin, adversário dos Shinshengumi (também adeptos do imperador, contudo, hostis aos Choshin) ou o clã Niwaban (os serviços secretos do shogunato).

Kenshin Himura, o protagonista do anime, inicialmente conhecido como "Shinta", é um jovem samurai, órfão e inexperiente, resguardado por três mulheres, que serão assassinadas por um clã adversário durante a sua infância. Shinta será salvo por Hiko Seijuurou, um samurai que irá tomar conta dele e altera-lhe o nome, afirmando que "Shinta" não é um nome digno de um guerreiro. Tendo em conta o seu passado conturbado, Kenshin desenvolve uma filosofia belicista inspirada num ideal utilitário, pretendendo aniquilar o mal de modo a fazer o bem e a justiça triunfarem. Contudo, essa atividade seria impossível de exercer, uma vez que, não só a designação de "mal" é subjetiva, como a salvação de pessoas implica o sacrifício de outras. Kenshin irá aprofundar a sua ideologia mais para a frente, quando procura exercer o bem sem necessitar de combater.
Kenshin era apelidado de "Hitokiri Battosai", por entre os clãs, uma nomenclatura que o designava como um homem que matava outros, dotado de uma força e ferocidade dita demoníaca, pelo que os seus esforços asseguraram o pavimento da vindoura dinastia dos Meiji. Kenshin e o clã dos Choshu concebem-se como uma ameaça à estabilidade e paz do Japão, premente no período do shogunato, pelo que os partidários destes argumentam que a eliminação da dissidência oposta era essencial para preservar esses mesmos valores.

Os exércitos dos Choshu e as partidárias do shogunato enfrentam-se em Kyoto, deixando a cidade em ruínas, pelo que as armadas conservadoras vencem o conflito, levando a que os integrantes do clã Choshu se refugiassem em outras zonas do país ou fossem encarcerados e/ou mortos. Inclusivamente alguns elementos deste acabam por se aliar aos Tokugawa e Shinshegumi, obrigando os seus opositores a cometerem o suicídio ritual - seppuku, deste modo, eliminando a oposição. Kenshin irá mudar-se para a aldeia de Otsu, juntamente com Tomoe Yukishiro, mulher pela qual se apaixona e começará a viver em união.

Contudo, um dos anteriores aliados de Kenshin, Iizuka, irá operar como um espião contra os Choshu, pelo que inclusivamente, o irmão mais novo de Tomoe, Enishi, também se alia ao shogunato, pretendendo assassinar Kenshin. Ele manifesta as suas intenções, pessoalmente, à irmã. Tomoe, que se vê em uma confusão de emoções relativamente a Kenshin, opta por abandoná-lo durante o sono deste. Posteriormente, Iizuka aparece na residência de Kenshin, afirmando-lhe que Tomoe era a espia, ao serviço do Shogunato, convencendo-o com o facto de que Tomoe se casaria com um dos samurais que Kenshin tinha assassinado anteriormente - o mesmo indivíduo que lhe fez a primeira cicatriz na bochecha.
Os adversários de Kenshin, que agora se dirigia ao quartel dos pró-shogunato (onde se encontrava Tomoe), acreditavam que este se sentiria desmotivado e vulnerável a ataques mortais, tornando o seu assassinato mais fácil. No entanto, Kenshin consegue contornar todas as dificuldades que lhe impõem, mas não será capaz de salvar Tomoe, que será golpeada por ele, ao colocar-se em frente ao guerreiro com que Kenshin lutava. No seu leito de morte, Tomoe traça, com a sua pequena espada, um corte sobre a cicatriz de Kenshin, formando, assim, a sua marca em forma de cruz. Ambos acabaram por morrer, porém, Kenshin não desiste do combate e continuará a lutar pela sua causa, até à vitória das armadas partidárias dos Meiji.


Imagens:







Existe um vídeo extremamente conveniente, que não só mostra algumas partes violentas do anime, como também tem uma canção incrível das Labei Ritual a acompanhar:


Como não encontrei nenhum site para ver este anime em português, tive de o ver legendado em inglês, em um site chamado Myvi. Recomendo principalmente pela excelente qualidade de imagem. Todos os episódios estão nesse canal.